Nunca fiz as coisas da maneira mais fácil, um traço de personalidade minha que minha mãe me lembra com frequência. Tenho esse sentimento constante e avassalador de correr e procurar a próxima coisa linda, algo que me faz sentir vivo, como se ficar em um lugar por muito tempo me sufocasse e sugasse a alma de dentro de mim. Começo e saio de empregos no mesmo dia. Eu mudo de apartamento assim que termino de desfazer as malas. Eu jogo fora amantes de uma semana como comida chinesa. É uma coceira que sempre me disseram que não é bom arranhar, uma sombra iminente se espalha sobre mim, corrompendo qualquer senso de praticidade, implorando para que eu pule no fundo do poço sem saber o que está abaixo da superfície. 'Não é bom você sempre se perguntar o que mais há por aí', as pessoas vão me dizer. 'Plante suas raízes, encontre algo consistente', O único problema é que nunca me senti mais vivo ou livre do que quando sucumbi a esse poder que vive dentro de mim. Quando corro longe e ferozmente em direção ao desconhecido, em lugares estranhos, em torno de rostos que nunca vi antes, é quando me sinto mais bonita, mais parecida comigo mesma. Quando pego a caneta no papel e revivo minhas experiências por meio de palavras e lembranças, vejo em uma página. Minhas raízes estão nas minhas experiências, nas belas montanhas que escalei e nas respirações que mantive submersas nas águas salgadas azuis. Decidi que esse sentimento é um presente raro e bonito que a Terra me deu. Não estou certo ou errado por isso, mas pretendo causar o caos. Usar meu humor para me conectar com os outros e meu destemor para me conectar com o chão em que eles se sustentam. Eu sou um escritor. Eu sou uma alma errante, não procurando por uma casa ou uma constante, mas muitas, como as ondas que batem na costa, sempre se movendo com a força da lua, mas naquele momento, exatamente onde elas pertencem. Então, aqui é para nós. O impraticável. Os selvagens, os corredores, os criadores do inferno, os libertados. Que possamos continuar mergulhando de cabeça no desconhecido. Para encontrar nosso objetivo na risada de outras pessoas. Uivar para a lua até a noite e brincar o dia inteiro ao sol. Mas o mais importante é que continuemos a espalhar o amor como fogo. A cada história que falamos, todo poema que escrevemos e toda piada que contamos.