Eu nem sempre sou uma boa pessoa.

Lá, eu disse. Estou admitindo. Estou acenando com a mão no ar. Estou apontando meu dedo indicador diretamente para mim.

eu sou egoísta impaciente e um pouco inseguro

Estou alertando a todos que tenho falhas. Que nem sempre tomo a decisão certa. Que tomei o caminho mais fácil, fazendo o que exige menos esforço, o que geralmente equivale a algo que machucará outra pessoa.

Por tanto tempo, também conhecido como toda a minha vida, tentei me pintar como santo. Eu sempre estava me defendendo veementemente em situações difíceis, em que, em retrospectiva, eu estava claramente errado. Todas aquelas vezes em que eu dizia a coisa errada, atacava ou tentava manipular as coisas a meu favor.

Tem essa palavra que eu odeio. A palavra da qual eu tenho fugido.

Manipular. Manipulativo. Manipulador.

Essa palavra, todas as formas em que aparece, me assusta mais do que qualquer outra coisa jamais poderia. Porque eu não quero ser essa pessoa, a pessoa que torce as coisas para terminar a seu favor. Quem diz 'A' para que alguém se sinta 'B' para que o resultado seja igual a 'C'. 'C', é claro, sendo o resultado que desejo, aquele que fará eu mais feliz.

Eu acho que uma parte de superar esse medo, de se tornar uma pessoa melhor, é admitir a verdade.

Então, sim, eu tenho sido manipulador às vezes. Acrescento 'às vezes' porque ainda é muito doloroso admitir que foi mais do que isso. Mas é pelo menos alguma coisa. Algo para eu dizer 'manipulador' e 'eu' na mesma frase.

Espero que seja algo para dizer 'me desculpe'.

E seria muito mais fácil culpar as forças externas por todas as coisas ruins que fiz, pelas maneiras como magoei as pessoas ou as tornei mais difíceis. Seria mais fácil culpar meus pais ou meu ambiente ou a maneira como eu cresci. Seria tão fácil juntar as dificuldades da minha vida e despejá-las no colo de alguém cada vez que faço algo errado. Seria tão fácil usar esse pacote como mecanismo de defesa, como autopreservação, como um bote salva-vidas no qual flutuar no mar com minhas próprias besteiras.

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Quero dizer que terminei com tudo isso. Quero dizer que estou pulando da minha balsa e entrando no mar, cujas ondas aprenderei a superar. Quero dizer que vou me sair melhor.

Mas quantas vezes eu disse isso para mim mesma? Quantas vezes todos nós dissemos isso para nós mesmos?

Talvez não deva ser sobre me espancar, sobre castigar o que fiz, mas sobre examinar o buraco negro que é a natureza humana. Digo 'sombrio' porque a natureza humana nem sempre é bonita. É profundo. É interminável. É algo em que você pula e nunca consegue abrir caminho.

A natureza humana é muito mais do que pessoas boas ou más, certas ou erradas. A natureza humana, a maneira como agimos, nossos comportamentos, não são expressos em preto e branco. Cada um de nós tem infinitas possibilidades armazenadas dentro desse buraco escuro. Todos nós temos a capacidade de atacar, da mesma forma que todos temos a capacidade de agir com bondade.

Talvez a natureza humana, nossas personalidades, a maneira como reagimos às coisas difíceis, sejam todas escolhas. Talvez eu tenha, até esse exato momento, decidido agir de maneira negativa quando não entendo o que quero. Talvez eu tenha usado lágrimas como garantia. Talvez eu tenha usado desculpas como histórias de soluço.

Talvez todos façamos essas coisas. Porque quanto mais penso nisso, mais acredito que todos nós fizemos coisas das quais não nos orgulhamos. Todos desenvolvemos padrões de comportamento prejudiciais por um motivo ou outro. Talvez o problema não seja o que estamos agindo, mas a nossa incapacidade de alterar os padrões em que eles existem, a incapacidade de se esforçar para corrigir o que fizemos de errado.

Talvez o problema todo seja a incapacidade de pedir desculpas. A incapacidade de não apenas dizer vamos fazer melhor, mas na verdade apenas saindo e fazendo Melhor.

Eu nem sempre sou uma boa pessoa. Há momentos em que eu realmente personifiquei minha própria definição de má. Às vezes, se eu me olhasse de fora, se me imaginasse alguém totalmente diferente, teria percebido que o que estava fazendo estava errado. Manipulativo. Egoísta.

deixando um legado

Nem sempre sou uma boa pessoa, mas talvez nenhum de nós seja bom cem por cento do tempo. Talvez toda essa idéia de 'bom' seja subjetiva. Talvez julguemos certas coisas como aceitáveis ​​quando se trata de nossa própria subjetividade e da maneira como nos vemos.

Talvez eu continue tentando virar uma nova folha e sempre falhe.

Mas do jeito que eu imagino, ser capaz de entender, analisar as partes escuras de si mesmo, tentando transformar essa escuridão em luz, isso deve contar para alguma coisa. Deve atestar algum tipo de bondade que tenho no fundo.

Eu nem sempre sou uma boa pessoa. Eu sou o dono. O máximo que posso fazer é me esforçar ao máximo para ser melhor, mais gentil e mais forte.

Estou tentando.