Na semana passada, estávamos rindo de garotos e compartilhando histórias sobre a semana em que você me disse que foi agredida. Você não disse com essas palavras exatas, mas sabia, e eu sabia. E eu só quero pedir desculpas.

Sinto muito que isso tenha acontecido com você.

Que, em vez de pular para abraçá-lo, fiquei em silêncio. Que minhas próprias memórias de estupro e abuso verbal dominaram qualquer habilidade que eu tive que focar em você naquele momento. Duvido que alguém tenha se apresentado para dar os próximos passos em direção à cura e à denúncia, porque realmente não acho que alguém saiba o que fazer.

Aquele alguém que você gostou, talvez até amou, usou esse fato contra você para prejudicá-lo. Que sua beleza sem esforço e graciosa foi jogada na sua cara, e você foi informado de que não seria um problema se você não fosse tão 'irresistível'.

Que você tinha medo de contar a alguém.

Que alguém o culpe por estar sozinho em uma sala com ele, como se não fosse algo comum de se fazer. Que ele viu você apenas como um corpo, pegou seus gritos e pedidos e os torceu em sua cabeça em prazer e poder. Que essa é uma ocorrência tão comum que quase se torna comum, e temos que declarar o mês inteiro do mês de conscientização sobre agressão sexual em abril apenas para alertar o mundo de que SIM, ISSO É AINDA UM PROBLEMA.

Que sabemos que isso aconteceu com muitos de nossos amigos.
Que em nosso campus universitário, a estatística é verdadeira: 1 em cada 4 meninas é agredida sexualmente. Ainda assim, apesar de todas essas histórias que mantemos pesadas em nossos corações, houve apenas dois estupros no campus no ano passado. Que o estigma ainda é tão forte que ficamos em silêncio. Sinto muito por este ser o mundo em que vivemos.

Eu te amo e não vamos parar de lutar.